15 de jun de 2017

Quando as estrelas brilham, eu oro por você.



Aprender a amar 

Uma curiosa ideia antiga, intuída, passou a viver depois de um encontro na vida que distante está: diálogo foi tão tenso, pouco negociado, uma esperança miúda...
Eles estavam trazendo a realidade à tona. Ela viu sair de si uma emoção difícil: o medo, com a razoável intensidade. E raiva de ter medo de não ter. Ouvindo música brega/pop tipo projota "ela só quer paz"
Com outra emoção guardada, pensou: "Se tens lugar em mim, o amor será seu outro ponto cardeal da bússola. Seremos um para o outro um lugar que vai doer, mas pode perdoar. E não pode. Não se escolhe isso assim. Tem que dar tempo. 
Perigosa essa constatação, traz a ideia de ser a continuidade de crescimento. Nesse mundo sabemos que é impossível viver sem doação, sem abrir mão é impossível. 
A capacidade de aguentar, que nos é exigida, fecha portas para as outras emoções, mas ainda temos janelas. 
Ela acordou tão cansada no dia seguinte, em dose única que duraria todo aquele dia, ficou mais tempo presente do que seus costumeiros três dias de aflição. Os meses de limite permitido para estar numa relação sem se levar junto, já haviam passado, desde que ouvira sobre o que são relações. Ele a teve inteira de uma maneira muito natural. Ela não se deu conta de que estava vivendo, fechada, em torno de uma única emoção — o mesmo que costumava criticar. E seu coração ficava cada vez mais gelado. 

Acordou ainda surpresa pela resposta ao absurdo daquela frase ecoando. "Eu te amo", mas vinda de outras fontes. Uma declaração enviada do fundo da alma, deveria ter sido uma sugestão para que ela falasse algo para os dois. 
Lembrou que saiu humilhada às altas temperaturas, com uma mistura de saudade e uma leve irritação nos lábios de tanto dizer mentalmente que não viveria isso. Passou a manhã caçando o descanso pelos travesseiros. Daquele dia em diante, caçar sinais da presença dele, se tornou uma mania. Sugeriu mentalmente até mesmo que deixasse passar sem falar nada, nunca mais. Nem mesmo se reconhecia nesses gestos. Na verdade, arbitrariamente, decidiu ser ela mesma, agarrar seus sonhos e possibilidades . Sem pensar, sem sentir. Jogou-se na emoção que estava vivendo. escreveu numa mensagem, mas nunca teve coragem de enviar.

A dor, que marcou longos dias e anos, voltou com mais força. Querem criar seus castelos por trás dos discursos — decretava sempre que podia em conversas mais reservadas. Mas compreendia que era preciso defender o amor. Seu silêncio era fuga ou engajamento? Não apontava publicamente nenhuma contradição. Durante os dias de ausência viveu com intensidade a distância dele. Poucas foram as vezes em que não estavam juntos. Ela queria um colo. O mundo retira de nós todos os colos possíveis. E não os há. 

Ele estava lá. 
Um desses dias mereceu memória. Lá estava ela sentada  na rua do Bar que tomaram aquela água ardente, fazendo uma das coisas de que gostava. Comprava um gin tônica para sentar e ler de graça as revistas de arte que pegara numa dessas galerias metidas a cool. Era seu treinamento para um dia realizar esse mesmo procedimento em Londres — “uns querem Nova York, outros Istambul; eu quero os dias de chuva em Londres, parecem tão aconchegantes como estar com você”. Ele guardou, entre páginas de um livro, a camiseta com seu cheiro de não banho,com esse recado de bom dia deixado por Ela borrado de desculpa por ainda estar ai. Ele sentado na poltrona do butiquim aceitou a proposta e pegou um livro mas não cativou. Já havia lido, leu poucos livros mas jamais os esquecia, foi intencional, para se deliciar observando Ela. Seu olhar fixo sobre o rosto dela incomodou-a. Ela sorriu mas pediu que ele se concentrasse na leitura. Ele não sabia mais quem era, do que gostava, do que não gostava, o que queria. A euforia de conviver com o amor naquela hora o desequilibrava. Um comportamento que parecia ser proposital. 
O excesso dela cativava-o. Ele era divertido, mas ensaiava certa agressividade quando ela não se demonstrava atenta. Os dois. E os corações gelados.

Como não acontecer isso diante de tamanha intensidade? Ela engravidou mas foi interrompida  a gravidez. Ele não soube o que fazer. Ela sabia que desejar aquela gravidez era muito mais uma fantasia egoísta dele do que a vontade de ficar junto. Vamos acreditar  nisso. Havia impaciência em seu tom, de quem não quer se dar conta do que estáva acontecendo, decidir apenas virando a página de imediato. Isso reforçava ainda mais os receios deles. Ele não a escutava. Ela não entendia. Não havia reciprocidade de emoções. Ela estava inteira na relação mas com uma emoção diferente, mais presente. E com a tranquilidade de que aquela relação era um presente para sua vida e não a vida por inteiro. Ele, sua ausência, era outra coisa. Que nem ele sabia ao certo. Talvez por não ter se envolvido nessa intensidade anteriormente não sabia lidar com as emoções e esperava a mesma euforia dela.Mas ela era inevitavelmente indecifrável.  

Não tinha mais alunos para inventar aulas interessantes e arejar a cabeça; nem mais colegas de trabalho para as pequenas conversas, mesmo que controladas. Ele estava com amigos recém casados . Belo Horizonte é uma cidade de amizades. Impossível lidar com a vida que se vive nela sem parceiros para pensar junto. A vida da casa precisa da rua. Essa era a hora que Ele precisava de um amigo, mas estava só. Do jeito dela a tristeza, inibiu até mesmo as respostas de e-mails com convites de pessoas próximas. Várias vezes Ele perguntou se não sairiam com seus amigos, Ela desconversava, porque não queria. Agora, sentia vergonha em falar para alguém.  


As próximas semanas seriam regidas por sequências de emoções diversas, em demasiado. Ele aprenderia, como num parto a fórceps aprender tudo, e vê-la toda. Ninguém pode te ver nua e não ter um compromisso com você. Pq aquilo é mais do que a sua Alma, exposta. Era um efeito que ele causava. Outras dimensões. E que tarefa complexa. E ela aprendendo a ser e a dar lugar. Fim.

8 de mai de 2017

Era a tarde e não tinha chá,nem café, nem mesa posta, nem nada era meu ali e era um lugar de abrigo. Na verdade tem tudo, mas eu não quero.
 Toda vez que eu tomava minha medicação dizia a mim mesma; mude a minha mente, transformem minhas sinapses, mudem quem estou me tornando por causa do caos. A secretaria é doce, muito querida por sinal. Meu medico é calmo e me passa muita segurança. Melhorem-me! Sarem-me. Parte de mim querer viver, parte de mim querer morrer. Fechar os olhos como um passarinho e jamais levantar, nunca mais ouvir aquilo, nunca mais dizer, nunca mais me envergonhar de ser uma péssima pessoa e ouvir isso dentro da minha mente a cada madrugada corrida sem sono. 
Tinha tido jogo do Galo e a cidade tava metade feliz, eu tava metade/metade pq não tinha naldecon noite e aqui faz muito frio. Como havia dito Estava a dias sem dormir e a passagem das horas era muito irritante, me fez lembrar o chá da Alice e o coelho com seu relógio de bolso. Pra sempre eternamente. 
Esse dia foi um dia feliz, solar cheio de coisas lindas. Lucas estava aqui e brincamos muito. 
E no fim teve jogo e ele foi jogar com o mano. E o galo ganhou. E ouvi musicas que me davam indícios de que era assim. 
Vi o filme que gostávamos (ou eu) mandei e fui tolhida. Coisas da vida. Tô escutando no banho uma música do Vinicius chama-se "O haver" 
Tem fogos de artifícios lá fora e sol mas aqui menos trinta graus. 
As pessoas têm pouca noção do impacto que causam, quem flerta com quem não quer ninguém? 
Eu hein? 

28 de abr de 2017

Direct

Tá ruim? Tá difícil? Às vezes (quase sempre) dá vontade sumir? De chutar o balde, a gente faz besteira, ira-se, desiste, persiste, desiste de novo, persiste de novo. Não eu não Tô falando da gente, eu Tô falando da vida, viver é assim, é uma montanha russa mas a algo que insiste em nos manter de pé, que é mais forte do que nós, uma graça imerecida e pontualmente não requerida, mesmo a gente não pedindo, ou até pedindo o contrário ela está ali, nos sustentando, nos renovando, engrentanso nosso derrotismo e pessimismo sobre a vida. Ok moço dos olhinhos pequenos, o que você quer dizer com isso tudo? é que já sei, e, é um peso, um martírio passar por essa vida, e sozinho fica quase impossível. Pois bem, abrindo mão de todo orgulho, machismo, auto justificação eu percebi que não dá pra abandonar o meu bem, o meu amor. Porque a "paz" que eu achei que poderia encontrar não me encontrou sozinho, ela acontece no meio do turbilhão, no meio da batalha, de mãos dadas, ela chega sutil e transformadora num abraço, no seu abraço.
Quero tentar de novo, e de novo, e se precisar de novo, e quantas vezes forem preciso. Eu te amo, e de tanto te amar sou egoísta, quero você pra mim, seu passado, presente e futuro, todos pra mim, mas você não é minha, você é do Senhor e eu preciso entender isso, não quero fugir, você faz falta, maior que a falta que eu sinto de mim mesmo, talvez seja porque me encontro em você..,você tem todo o direito do mundo de me achar um louco, inconsequente, e posso até nem ter direito de te dizer nada depois do que fiz, então só posso dizer ME PERDOA, eu TE AMO e queria muito ter a oportunidade de consertar a burrada que fiz.

Quero te ver feliz, e se essa é minha missão eu não posso fracassar nela, perdi uma batalha mas a guerra está aí pra ser vencida.

Com o Senhor me ajudando sempre porque sem Ele nós somos pó e queda.

Me perdoa. 😢        
 

24 de abr de 2017

Do que somos feitos

Arrisco aqui uma explicação para tantas dores tanto cinza usadas em Agressões.
Primeiro, e com certeza, essa
Enganação filha da puta que sofremos que somos fortes e invencíveis. Porque eu não tinha nem 10 anos quando o Ziraldo foi foi à minha escola No batista conversar com as turmas do terceiro ano e autografou meu livro. Quer dizer, o livro dele. Que ele escreveu. Ou seja: o livro dele, que era dele há um tempão, em um segundo passou a ser meu só porque eu me inscrevi na feira literária do colégio e fiquei na fila pra pegar uma assinatura e configurar uma relação.tenho relações platônicas desde sempre. E, como desde pequena levo a serio esse lance de relação e vi meu nome junto ao de um escritor de verdade dentro do objeto mais importante e misterioso como um Livro — sim, maiúscula —, de alguma forma senti que a partir dali éramos um casal de amigos imaginários. Sim, um casal, ou no mínimo uma dupla, e que portanto eu deveria cumprir com a minha parte no documento, o que significaria ler um pouquinho e escrever de vez em quando nem que fosse um haicai ou uma crônica porque minha orientadora da escola deu essa dica porque segundo ela eu era brilhante (em diários pq já me tratava do tdah naturalmente). Então é obvio que os autores de poesia são culpados.
Depois minha Bá. Porque uma vez eu fiz um versinho de amor pra ela fonte da
Minha alegria de criança, mas a minha ela achou tão lindo, ou pelo menos disse que achou tão lindo, e mostrou pro meu pai e também pras amigas dela, e mamãe e eu fiquei tao feliz de ela ter orgulho de mim, que até hoje eu penso que, se ela achar bonito um ou outro texto meu como um dia ela achou o poeminha do “amor é fogo que se junta no coração”, nenhum motivo pode ser mais nobre e quentinho do que esse.
Nelson Rodrigues. Este é um culpado indireto, coitado. Um culpado. Teve uma época em que os CEPs so tinham cinco dígitos e o Tom Jobim comprava pão na padaria Século XX sempre li jornal do rio, São Paulo d BH. Eu li isso e fiquei abismada. E porque, no dia em que ele tomou posse na Academia Brasileira de Letras, portanto, escrever era uma consequência e um dever de quem vivia ali. um talento distribuído democraticamente no ar pelos paralelepípedos. 
Bom, existem vários outros culpados por me incentivar a tão solitário esporte como a escrita, e não seria justo com o você listar toda essa gente mal-intencionada em uma única declaração de amor/parabéns.
Claro que não posso deixar o Braga, com seus textos curtos e cheios de sabiás, é faca no peito em dez minutos. Com ele aprendi a me emocionar com uma folha no asfalto, logo eu que sempre chorei sem motivo e me achei feia e você disse isso. E disse que eu era frígida sem nem ter tido oportunidade de viver outras coisas. E não precisava ir mais fundo pra encostar na beleza porque eu chorava lendo gibi.
Somos o que lemos, o que nos ensinaram, o que nos disseram ser o certo. Não é, não? Olha a autoajuda aí marcando sua presença! A sorte é que sempre dá pra fazer diferente, caro ex amor ou amor pra sempre.
Aprender. Ouvir. Mudar a perspectiva... Peço, portanto, a compaixão dos nossos irmãos cristãos — ou agnósticos ou evangélicos, ou espiritas, não importa — e arrisco aqui uma explicação psicanalítica para tantas latas de tinta de cor cinza usadas ouviu pouco jazz e Pedro  Mariano.
tinha 5 anos,  Quase 6. Um dia, voltando da escola e entusiasmado pela aula de artes, resolvi , num rompante criativo, fazer na parede um desenho de da Vênus.Mas
Ficou diferente. Porque eu sempre tive loucura por tudo o que se referia à História da arte. gostava de usar o cabelo bem amarrado.  Minha mãe, no entanto, sem ter como prever meus gostos infantis, decorou as paredes do seu quarto de menina com desenhos nossos Sendo essa a paixão do pai e do avô, nada mais natural do que manter na família o amor pela arte. Ela também explicou sobre estar sempre bem penteada e com o quarto bem organizado.
Depois fiz 10. Já usava o cabelo repartido no meio, vestidos de meias e o sapato boneca da BUÉ e ja ansiava pelas férias em praias. Os dinossauros eram página virada, e as pinturas também haviam sido deixadas de lado, eu acreditei no criacionismo mas nunca esqueci a bronca por ter desenhado fora do lugar de desenhar. E depois, a essa época, já quase não havia tempo pra brincar, era preciso falar línguas e fazer muitos esportes pra se tornar uma adulta vencedora. Fui tratada coMo
Produtor. Ninguém podia me defender. Eu
Era frágil e só sabia ler. 
Pois bem, camiLa.
Entendo sua história. Cada um tem a sua, e nenhuma é melhor ou pior do que a outra. Mas agora que você chegou tao longe e tá no comando da maior coisa da vida. Sua vida, sugiro estudar um pouco sobre a função do perdão  e do amor. Sugiro compreender o sentido da palavra intervenção. Manja Nelson
Rodrigues? Profeta Gentileza? Se não, sugiro pesquisar. Por respeito aos seus hiatos de dor. Amor quando morre sem
Morrer dói, saia de dentro de si e olhe em volta. Sua vida é linda, companheira. Tem um cinza bonito que não tem em nenhuma lata de tinta.



Big big big 



Com 34 anos eu me separei repentinamente do amor mais avassalador da Minha vida. Já tinha filho, empregos, precisei de análise todos os discos do Tim Maia e uma cicatriz na testa. Eu fiz minha mulher gozar.
 Já sabia que avião só com Sono e que reunião de pais (que nunca fui) só com bala de mastigar, de preferência Mentos, que demora pra acabar.
Já sabia que não daria tempo de virar noites em Boates nem de escalar nada pq meu amor era seu e você era muito sedentária- tem coisas que se você não faz na idade certa, depois só resolve com tatuagem.
Com 34 anos paguei meu 5º aluguel, minha conta de luz, e comprei meu primeiro vinho de 20 bom! – Eu ainda não sabia que sentar pra jantar em cima de um tapete que você mesma comprou, e não sabia que poderia dar tanto significado a um sanduíche  (talvez por isso tenha demorado tanto pra comprar mesa e cadeiras para o apartamento, comendo no chão diante de uma mesa de centro por uns meses os japoneses sabem tudo.
Com 34 anos eu percebi que não poderia mais brigar com meus pais, e que não era com eles que resolveria as lacunas da infância ou a distância na juventude. “Não era com eles”, ainda repito vez ou outra pra mim. Eles me deram tudo e eu os amei. 
Com 34 anos deixei pra trás uma casa onde fui feliz e onde vi meu filho pronunciar que me amava mais que tudo no mundo. Ele ficava contente ao ver a satisfação que causava em mim, eu então recém pai ao pronunciar Te amo e me beijar molhado e eu olhava aquela cena torcendo pra não ser verdade o que eu intuía ser: nós três, de manhã, juntos e com cara de sono, tava murchando.
Com 34 anos e em carne viva por ter desfeito aquela família, eu não sabia que hoje, estaríamos juntos por causa so amor. 
Mais avassalador e que sobreviveríamos, os três, a uma dor que parecia não ter fundo.
Eu também não sabia que casaria de novo numa outra onda de amor e sexo talvez com a mesma pessoa. 
e que seria tão feliz, que teria outro filho.

De repente
Com 34 anos eu não sabia que a
Política era essa desgraça que a cintura alta e que o Los Hermanos acabaria de repente.
Com 34 anos eu não sabia que logo perderia meu senso de bondade que viveríamos o dias de horror na casa que eu mesmo ungi e orei.
1, e que no mesmo ano da derrota histórica que sofreríamos de nós mesmos, também eu seria goleado aqui no meu coração. 
Com 34anos não tinha o disco novo de ninguém não tinha os desenhos do Lucas, não tinha meu filho lucas feliz a qualquer hora do dia, não tinha as negras do jazz que faziam minha mulhere querer transar. 
Com 34 anos tinha o temor, das despedidas e choro todo dia, tudo doendo e sendo bom ao mesmo tempo. Era bom não ser mais jovem e era ruim não ser mais jovem. E tinnha um amor sangrando, doido querendo ir embora.nas era d+
Com 34anos eu não sabia que com outros anos continuaria sem saber como fazer pra não ter medo de amar e de dizer o que sinto.
Ainda bem.

 Seja feliz pra sempre. 


13 de set de 2016

Alimentação Alienígena

Durante esse cortejo fúnebre as pessoas acompanham o esquife de cada uma de suas utopias, usam camisetas com frases de efeito num engajamento mórbido. 
Portam cartazes com o dizer: " o ideal está morto"! 
Que fato complexo. 
Logo depois chegam em casa, ligam seus computadores conectado na internê e escrevem textões sobre todas as coisas... 
Comunicam a fome de existir e deixam transparecer que o apetite utópico não está morto nem nunca estará. Ser humano precisa de narrativa. 
Para ilustrar; 
Perguntaram ao David Bowie o que ele tinha para dizer sobre a nova forma de comunicação da humanidade: " a internet". 
No que ele responde; "A internet não é um sistema de comunicação, ela é um alienígena!" 
Comento; Um alienígena que se alimenta das utopias da humanidade e não sabe que o humanismo está entrando em sua esquife para seu cortejo fúnebre. 

13 de ago de 2016

Eramos estas. Somos. Eu.

Ser boa em física e não sentir saudades da minha mãe no meio do silêncio de um café qualquer. Conseguir ingresso pro show do Vander Lee e amá-lo naqueles instantes. não chorar vendo a foto do meu primeiro namorado. Decorar todas as falas do Nelson Rodrigues e perder três quilos. Ter coragem. Um cachorro manso.ter sempre Três reais pro pão de queijo.

Viajar sozinha nem que seja pra São Paulo. Ler  e não achar chato. Assinar o Telecine e escrever à máquina. Aprender todas as letras dos mitos do jazz e fazer uma faculdade. Ler a parte de política do jornal. Não sentir culpa. Respirar. Doar alegria. Gostar da pedagogia do sofrimento.
Não trancar o IBE. Treinar baliza na ladeira e não odiar o moço da autoescola. Aceitar a viagem do Lucas mesmo com medo. Não parar o Amoxil antes de sete dias. Ter coragem. Filhos. Três reais pro pão de queijo.
Ver a peça da Tais Araujo e o filme da garota "Selena". Fazer análise e marcar pilates.Dançar nas festas e não só no quarto. Renovar o passaporte e mochilar pela Europa.consultar o Airbnb. Desfilar num carnaval e ficar descalça.
Ir de escada e não de elevador. Viajar pra Jeri  e só comer peixe. Soltar o cabelo nos pilotis. Estudar violão. Beber.  amar o meu pai/mãe  além dos erros. dar o tempo correto do condicionador. Depilar.
Não ficar sem graça com a ex-mulher do meu ex. Gravar os últimos capítulos de Liberdade Liberdade. Recortar matérias de turismo e deixar na geladeira. Comprar Frontal. Marcar de ir à Feira dos Produtores com tempo e não comer
Pastel. Deixar bilhetes de amor pela manhã e tomar sol. Não depender dos meus pais.
Não gastar metade do salário comprando coisa pros outros. Não ter medo de outro parto. Não achar que ter filho vai fazer todo mundo esquecer de você e que você nunca mais vai trabalhar. Não comer o pote inteiro de sorvete.  Ir de bicicleta e não de ônibus . Terminar o livro do Dostoiévski sem chorar. Só fazer trinca de ás e de três. Casar. 
Não odiar as crianças que não convidam seu filho pras festinhas. Não odiar os pais dessas crianças. Tomar banho de mar pelo menos uma vez por ano e doar sangue. Ver o programa do Silvio Santos. Pensar na morte.
Brincar de carrinho com o  filho. Achar legal brincar de carrinho com o filho. Ler com ele. Ficar com ele sem fazer nada. Ter vida pessoal ao mesmo tempo. Achar isso possível. Ter coragem. Três reais pro pão de queijo.
Deixar o Rivotril pra emergências. Repensar o conceito de emergências. Sair do Facebook. Retornar telefonemas. Cortar o cabelo. Contribuir com missões pra sempre. Respirar e ter unhas feitas. Lembrar dos sonhos de manhã. Gostar de música baixa até envelhecer.
Escrever. Fazer álbum físico da infância do Lucas. Viajar pra um lugar sem wi-fi. Achar bom viajar pra um lugar sem wi-fi. Gravar o meu pai antes que ele morra. Ler. Separar a dor e o rancorpilates. Mochilar pela América. Ser animada nas festas. Assinar a “Piauí”. Não ter medo de trovão 
Tomar banho de banheira demorado. Não falar pra ninguém porque pega mal.
Responder pro Rafael sobre cinema russo. Parar de beber Coca-cola. Fazer uma tatuagem de cruz. Escrever a carta pro Lucas adulto. Querer ter outro filho. Conseguir ter outro filho. Ver “Filme pipoca ”. Não ter medo do parto. Ver meus sobrinhos nascerem. Não ter medo de ficar louca. Desistir de ter unhas feitas com gel. Investir em shampoo bom.
Sair do Instagram. Trocar o ônibus pela bicicleta. Desenhar a altura do Lucas na parede. Almoçar com uma amiga uma vez por semana. fazer trilhas. Tirar selfies. Deixar o cabelo crescer. Contribuir com a semana do livro. Fazer Papanicolau. Voltar a amar a minha mãe depois da ofensa.
Aprender a fazer feijão e biscoito amanteigado. Ver “Game of thrones” e comer coisas cruas. Levar Rafael no cinema. Chorar. Entender de árvore e passarinho. Não depender de Rafael. Comprar discos e vitrola. Escrever as cartas.
Dançar nem que seja no quarto. Parar de comer pão de queijo. Fazer outra tatuagem. Não mandar nudes com cabeça. Parar de tomar Red Bull. Correr. Não mentir que está correndo se você só correu 3 vezes em 5 meses. Ver séries tirar habilitação. Pensar na morte.
Ir ao samba. Sambar. Tomar uma cerveja pra que isso seja possível. Talvez tomar duas. Sair do Whatsapp. Fazer mamografia e torcer pra Erundina levar a presidência da Câmara. Entender de drinks. Suar no sexo casada. 
Acompanhar o envelhecimento do meu corpo. Tirar o coração da alcachofra. Parar de chorar. Contribuir com os Médicos Sem Fronteiras.
 Ver “Gritos e sussurros”. 

dizer não.
Saber que se está na metade, pode ser cheio outra vez. Desistir de provar pra família do Lucas por parte de pai que eu venci sozinha e não entreguei os pontos. Não desistir do amor. Ligar pra Dra Camila e marcar exame. Não depender de ninguém que Deus não ordene. Sentar no chão sempre que eu quiser.  ouvir “Passarim” e me lembrar de coisas. Gostar do Obama.
Depender de quem se ama.
Ter coragem.
Netos.
Três reais pro pão de queijo

19 de mar de 2016

Para não apagar do bloco de notas.

...aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama – Provérbios 7:47 (Bíblia Sagrada)

Em outras palavras, não podemos dar uma coisa que jamais recebemos. 
Se nunca recebemos amor, como podemos amar os outros?
Ah mas como tentamos! 
Como se pudéssemos "fazer" o amor a partir da força de vontade apenas. Como se houvesse um botão on e off dentro de nós e pudéssemos escolher “agora eu amo, agora eu odeio”. 

“Não me importa quanto isso vai doer, mas vou ser gentil com aquele quem me magoou ” 

"Como ela pode?"

“Fui ferido profundamente, preciso perdoar, só não sei como”

Sim! Tentamos. Dentes cerrados, queixo firme. 
Será que não estamos pulando uma etapa? 
Será que o primeiro passo de amor não deve ser 
dado na direção das pessoas mas na direção de Deus? 
O Segredo para amar é saber receber. 
Para conceder amor, primeiro você precisa recebê-lo
“Nós amamos porque Deus nos amou primeiro” 
João 4:19.

Quer ser uma pessoa mais amorosa? Comece aceitando o seu lugar como filho querido e amado. Deseja aprender a perdoar? Então pense em como você já foi perdoado. 
Esta difícil colocar os outros em primeiro lugar?
 Pense que Jesus Cristo fez e faz isso por você- embora sendo Deus,Ele se lembrou de você primeiro. Precisa de mais paciência? Pense na generosa paciência que Deus tem tido com você – Ele não desiste.

Podemos amar assim? Não. 
Sem a ajuda de Deus, não podemos. 
Pode ser que até saiamos bem por um determinado período, mas nossos relacionamentos necessitam mais que um simples gesto emocional. 

O amor capaz de salvar um relacionamento perdido não está em nós. Uma dedicação capaz de salvar uma amizade ferida pela mágoa não poderá ser encontrada em nosso coração. A esperança que nos faz enxergar virtude em pessoas ruins não mina dentro de nosso coração. Precisamos da ajuda da única fonte de Amor.

Muitas pessoas nos orientam a amar. Só Deus nos proporciona o dom para realmente fazê-lo. 

3 de mar de 2016

A vida.

Eu acordo às 6 e meia da manhã. Quer dizer, primeiro eu acordo às 4 aí tomo um Naldecon Noite e durmo de novo. Às vezes eu demoro a achar a caixinha dos comprimidos e quando isso acontece tudo atrasa porque eu acabo indo fazer xixi, e me angustio com a pilha de cadernos de cultura que eu separei pra ler  quando tivesse tempo. Então eu fico na dúvida se 6 da manhã é tempo ou insônia, e penso que dúvida é uma coisa que eu tenho mais do que camiseta. Decido voltar pra cama e penso em cancelar a assinatura do jornal e em parar de comprar camiseta, porque não tenho dinheiro assim pra isso. 
Eu me cubro muito, durmo de pijama que o papai comprou e quase sempre acordo meio gripada. Meio gripada de vez em quando é bom porque dá pra tomar naldecon. Ler sem parar numa terça e não sentir culpa, essa era a vida que no meu sonho de menina sempre me acompanhou. Eu queria ler sem culpa, mas ler com culpa já é alguma coisa, leio com culpa, pois deveria estar malhando, sei lá...é como ter abolido açúcar, mas manter a Coca normal. 
Como pão com manteiga e acho a melhor comida da existência.  Faço meu café em silêncio, olho os jornais que ainda não cancelei e abro o Instagram. Vejo que a Aninha tá ouvindo James Bay, que a Rafa foi no barzinho e que a Julia tá convocando pra alguma coisa. Faço parte. Posto a foto do Lucas, tô apaixonada pelo garoto que ele esta se tornando. 
Tomo banho pra sair. Preciso depilar e fazer a unha. Decido que vou sempre estar depilada e de unha feita, mas hoje não vai dar tempo. Coloco uma camisa Lacoste pra copiar a Nadia, e respondo e-mail. Chica me avisa que a geladeira quebrou. Mas tá ainda possível de usar,ela diz. Olho o Instagram pra ver se a Lucas teve muitos likes. 
Saio de casa à 1 hora e não gosto de conversar muito antes disso. Normalmente, saio de jeans, se bem que agora tô numa fase de querer usar alfaiataria e sapato Oxford, e isso quer dizer que eu fui pro nível dois. Ainda não sei quem eu quero ser, mas, com certeza, é alguém que não usa cetim, que tem coragem pra bancar um chapéu e tá sempre com lingerie boa para um eventual caso de atropelamento, como diz a Priscila, aliás a Priscilla é um caso à parte.
Entro no ônibus , ligo o spotify e abro o livro de poesia. Leio para viver. Lavanda Johnson’s pra dar restart no meio do dia, carregador do iPhone, meia térmica pro cinema ali no Belas, óculos, rímel, base com protetor solar e remédios antiangústia, antienjoo (que as vezes é angústia disfarçada), e antidor de cabeça, que quase sempre é dor de cabeça mesmo. Jurei que colocaria barra de cereal na bolsa, mas o que vejo é um Toblerone inteiro e cheio de lactose. Mas daquele pequeno, sabe? 
Já durmo sozinha, sem o Lucas. Mas ele só dorme comigo. 
Passo o dia todo tendo ideias de artigos, e também penso muito em sorvete. Marco dentista. Parei de ferir meu coração com a indignação da podridão dos outros, mas a pele ainda tá ruim, porque a pele reflete um coração assim amargo as vezes. Passo rímel nos cílios de baixo. Eu chego sempre até o erre do Toblerone, mas vou baixar pro bê. E depois trident de canela. Aos poucos. Já não como a casca da pizza. E também já durmo sozinha. Já disse isso?
Sempre tive medo de tudo, e cresci alternando no peito a história de como meus pais se conheceram (a vida é boa), e a de que minha mãe não gostaria de ter me tido (a vida é má). Não tem garantia, mas o shuffle mandou uma Steve Wonder que eu sei cantar.
Lembro de quando as aulas de inglês terminavam com letra de música, e decido que vou brincar disso com o Lucas. Penso que tudo vai fazer sentido: a geladeira, os livros, as camisetas , o dentista, os remédios , o medo, o sapato Oxford e o pao com manteiga. 
Tudo vai fazer sentido porque um dia a gente vai pra um sítio ler livros novos de poesia, tocar e cantar, ler no iPhone os cadernos de cultura atrasados, vou estar depilada e de unhas feitas e dividiremos o Toblerone com o meu filho.
A vida é boa. (Tem você)