16 de ago de 2017

16/08/2017 (22:29)

  E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem de vez em quando até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras. Às vezes precisamos nos lembrar em silêncio que aceitar Jesus significa que meu instinto de auto preservação é mentiroso. Que meus planos de Felicidade vão falhar. É aceitar um não infinito de Deus para dar sozinhos um jeito na nossa vida. 
Percebo em minha mente as perguntas do Pai:

Vcs tem pele pra aguentar o sol da justiça? 
Ou Vão ser queimados por Ele? 
Somos capazes de habitar nesse lugar?
Temos pernas pra cruzar essa grande distância? 
Temos olhos para enxergar a luz celestial?
Nossos ouvidos estarão confortáveis para ouvir o canto dos anjos? Dos seres viventes dizendo; " santo, santo " ? Por toda a Eternidade?
Ou estão saturados por ouvir outras vozes? Outros comandos? Ou pior ainda, a nossa própria voz?

Quanta imortalidade existe em nós que por causa da morte de Jesus (e nossa união com Ele) está esperando ressureição?

 Todo 1º dia da semana (domingo) Jesus nos pergunta; vc entendeu o que Eu fiz por vc? Por vcs? 
E no 2º dia (segunda) somos testados. Somos terrivelmente testados!
Se fomos unidos a Ele pelo sacrifício substitutivo, estamos unidos a Ele para seguirmos nossa vida para crucificar tudo que em nós é mortal!  
Jesus se tornou o que nós somos pra nós nos tornamos o que Ele é! 
O nosso fim é glorioso. Mas o caminho até lá é de sofrimento e auto negação. Não dá pra viver de qualquer jeito. 
Nós jamais daremos conta da nossa vida..
A cruz é o nosso destino! E não um amuleto para afastar os males deste mundo.
A cruz é um instrumento para acabar com o mal que nós nos tornamos depois da queda! Para desfazer nosso cinismo, nosso desejo de ter prazer sem ter trabalho, nossa desconfiança e preguiça diante da vida.
Vamos mostrar ao mundo o mesmo caráter de Cristo? Ou o nosso caráter corrompido!?
Jesus está unido a você a ponto de chegar antes de você? Ou nós temos imposto o •eu• em primeiro lugar, vestidos com as folhas, tentando dar solução pra nossa miséria? 

Receba coragem do Pai para dizer a Ele; Senhor meu, Deus meu faça em mim esse milagre. Faça em nós.

Um beijo de alguém que crê com todos as forças que Ele é, e fará isso em nós. 

Amo sua vida. E mesmo quando não existe sentimento quero que resista O verbo que é ação. 
O amor não tem sossego, ele sabe que deve amar até a obra estar completa. Ele tem que aceitar a tolice do outro, a maldade do outro, a rachadura no caráter do outro, ele tem que beber o cálice até o final. 
O Amor é vitorioso. E abraçar o bem implica em tomar essas verdades como A MAIOR REALIDADE. Maior que as lutas, as contas, os boletos, os cuidados dessa vida. 
Vamos em frente; que a gt aprenda a correr riscos. 


*Avante no processo de virarmos gente* 

31 de jul de 2017

Para não sentir mais dor


Sempre quis quase tudo desta vida, e tenho a impressão de ter vivido mais do que os anos de vida,mas, por ordem de importância, diria que ser correspondida no amor e fazer parte, ocuparam, desde que me entendo por gente, o topo da pirâmide da minha lista de sentidos da existência e ideias de felicidade. Sou filha do meio, e a distância do "modus operandi" para meus familiares me deixou sozinha durante boa parte da minha infância. Sozinha, nada. Vendo A Ba às voltas com tudo o mais que alegrava minha vida em casa. tracei boa parte do meu destino, ao menos no que diz respeito à vida que escolhi, o Deus que me escolheu e às relações que viria a estabelecer. Tudo por causa da Ba Adelia e a Dorinha. Entretanto, como às vezes a falta marca mais do que a presença — oi Freud! —, o que deixei de viver virou exatamente meu projeto de existência reconfortante: uma mesa, um vinho, duas ou três questões a serem discutidas como se fossem duelo, comida boa, amor em excesso, família real,pouco silêncio,boa música e bons livros.

Porque, como, quando finalmente cresci, e voltei pra cozinha, minha reprodução particular da Santa Ceia ficou guardada numa nuvem primitiva — oi, Steve Jobs! —, e apagada. Ficou esperando pra ser revivida quando eu enfim tivesse os quatro filhos, dois cães e o marido espirituoso e magnético imaginados na infância, e ainda sob o efeito de uma tal de Electra (acho que isso é Sófocles...). A composição familiar, foi sendo protelada ate o momento em que descobri que, diferentemente do que eu havia quase experimentado, o elenco do cenário da sala de jantar ideal — oi, Platão! — não precisava compartilhar o mesmo tipo sanguíneo, mas, sim, uma familiaridade mais doce e suave chamada identificação/amor/escolha/doação/obediência.

E assim o mar vermelho se abriu. Sou um ser de grupo. A maior parte do tempo(!) Gosto só da minha gente, gosto de falar, gosto de ouvir, gosto de discordar, de mudar de ideia, gosto de quem me faz mudar de ideia, de formular teses e antíteses, de criar polêmicas, de aprender, de dizer que não sei mas que sou boa de aprender, de dizer que não sei e que não estou interessada em aprender se o educador for rude com minhas ignorâncias, e sob o efeito de um chopp ou dois entro em qualquer parada verbal, da questão do calvinismo à disputa do Nobel. 
Eu sou um ser de aprendizado.
Ainda não inventaram nada mais bonito do que uma conversa boa e excitante.. Essas coisas me lembram Jesus, e as árvores somos nozes.

É claro que nem sempre essa história acaba bem, e não me importo de dizer que demoro um tanto pra me recuperar de gente que pratica o descarte de pessoas, mas mesmo assim não mudo meu plano de jogo. O saldo do amor é positivo até nas lonas que golpeada experimentei, e quem não sabe perder que ouça Los Hermanos e não venha brincar com meu coração.

Do contrário, o que dizer de uma moça, que, órfã de modelos melhores foi caminhando pela vida e cambaleia um pouco e até hoje não faz conta da companhia? É no mínimo bonito esse bloco de carnaval: "se você ficar sozinho pega a solidão e dança"; como a paz de Cristo e café com leite pra matar meus medos. 

Porque há muitos motivos pelos quais seres humanos se aproximam, mas nenhum deles é mais nobre do que a gratidão. Gratidão é amor que agradece. E, se eu sinto falta de um passado que talvez nunca tenha existido a não ser na minha fantasia, o presente é um dia de chuva fria  embrulhado em laço de fita cor-de-rosa, dado em mãos numa festa à tarde com música ao vivo e algum gim, bolo de chocolate e memórias de 8anos que nunca vão ficar pra trás.

Como no dia em que, caminhando pela Rua Deputado Bernardino de Sena Figueiredo parei ao lado do Jardim que presenciou a noite mais azul que já vivi, e que ele, gaiato, disse, cheio de dengo na voz: fudêú!E eu tava pensando que pelo menos ia poder jogar fora aquela mania horrível de ter expectativas... 
Nunca vi uma moça tão elegante gostar tanto de usar sapato surrado... sapato surrado é como o papai chama expectativas. Todas são tolas e todas te deixam na mão. É pra se fazer de pobre? Não pode sofrer malvestida, meu amor... Era a imagem mental que eu tinha de mim mesma. 

Um humor é um humor. Venho aprendendo a destrancar o coração e a cozinhar arroz decente. Enquanto isso, de botas novas, compro almofadas pra menina que eu fui e pra mulher que eu sou, torcendo pra que elas virem uma só, e que deixem a porta aberta..


    

26 de jun de 2017

Um caso..

Sem faniquito 

Você é um cara legal,sabe. E a questão do controle, do domínio próprio é tão séria e importante que mesmo caras legais como você escrevem, falam e pensam tolices. 
Olha...
Acabei de perceber uma coisa: teve uma conversa, publicação e também muita análise  da narrativa “As fêmeas do Brasil e do Mundo são complexas... " o ser humano é quebrado pelo pecado, não adianta publicar leveza sem ter essa informação bem fixa e rodando no córtex frontal. Ontem neste mesmo -espaço, nesta mesma interne, eu li coisas absurdas e queria esclarecer duas ou três coisinhas. 
Ou confundir, pro meu amigo Di ficar mais feliz. Olha, não sei se você acompanha os números dos assassinatos, abusos, roubos fraudes (...)! no Brasil. 
Imagino que sim...
Isso sem falar nos estupros, nos salários desiguais, no assédio, na exploração sexual, na jornada tripla. Eu sei, esse papo é chato, estou meio monotemática e tenho gostado muito. 
Mas tem tanta coisa chata que a gente tem que conviver, não é? 
Ir à feira, por exemplo. 
Um porre. A violência no Centro de Bh. Pegar 5 busão por dia,inadmissível . Não é um assunto agradável, mas meio que não dá pra não falar. Inclusive vai rolar uma consulta/alívio pra cabeça, agora no dias pra frente: você tá convidado. A gente pode ir juntos e depois conversar sobre o “Lion”, último filme Indiano que vi e chorei por causa da solidão de quem se perde, era um menininho sabe..., você viu? Achei gênio. Se não viu, deveria.
Eu sei. Tá rolando uma patrulha, tipo controle de linguagem, uma imersão das pessoas na vida das outras. Eu mesma já me peguei sendo consideravelmente preconceituosa, rude, grosseira,(e todos as corrupções do ser humano), como assim a pessoa vem falar que é perfeita o tempo todo de batom? 
Acontece o seguinte; Bom, você nos chama — nós, as mulheres de 2017, de “Sem Faniquito e ponham-se no seu lugar”. Pois bem. A “Sem Faniquito” aqui precisa admitir que você tem certa razão quando fala de despeito. Eu tenho mesmo inveja de pessoas que conseguem. SÃO POUQUÍSSIMAS. Eu não consigo nada! Nunca. 
Nossas referências também não! 
Mas são as que amamos e temos.
Sabe, vi uma mulher que é linda, talentosa, tem aquele corpo, aquele sorriso, aquela leveza, e ainda querendo ser engajada, política, social e ainda não ter nenhum resquício das marcas que a vida trouxe e das que ela mesma fez?  NANANINANÃO! Não se pode ter tudo nessa vida. Ela que seja linda e não venha dar opinião emocional/psicológica  (contém alguma ironia, ok?).
Também concordo quando você fala de afastamento, de medo, faz aquele jogo, já batido (e meio bobo) de fato. 
Estamos vivendo uma certa autoafirmação, de modo que às vezes é necessário algum radicalismo. Você acha que não me doeu não relativizar o episódio e falar mal sem me colocar na roda? Doeu muito meu amigo. 
A mulher, (sou eu) é minha e não de quem quiser, sem falar que é uma das mulheres mais incríveis que conheço. 
Mas o amor, aqui, é dizer “não”, como fazemos com filhos pequenos. Porque não pode mais, sabe. Certas coisas não pode mais. 
Nem fumar no avião, nem andar na frente sem cinto, nem assediar colega de trabalho, nem se vitimizar pela criação falha do outro. Não pode mais não encarar a realidade. 
Não pode mais.
Quando uma mulher toma coragem e prega na ESPERANÇA uma palavra denunciando um ídolo nacional, (o egoísmo) ela sinaliza pra uma mulher de trinta e poucos que mora escondida lá no sertão do meu coração, onde o machismo faz a festa ainda mais que aqui nas redes invisíveis dos perfis fake(...), que, talvez, quem sabe, uma hora, ela possa ter voz contra sua mente e pessoas ao redor abusadoras. 
E ela também sinalizou pra Sem faniquito aqui, acredita? É disso que tô falando. Uma Sem Faniquito da cidade grande e com terceiro grau completo, -deixa eu explicar antes; tenho formação livre e isso quer dizer que as instituições que estudei não são reconhecidas pelo MEC e não vou ter diploma pra pendurar na parede, depois da um Google em Faculdade Livre de Amsterdã e sua história de início. Um Google na música Schoolin life. Quer dizer que a formação que pude ter, que quis ter, supostamente forte, não era possível nas instituições existentes. - que já conta 31 anos, inscrita no CPF, e que ainda assim passa por situações do século XVIII, como se sentir constrangida por jantar sozinha em restaurantes de praça de alimentação. 
Dei um Google em você. Desculpa a minha ignorância — enorme e infinita —, mas eu não te conhecia desse ponto e eu fiquei destruída.
Você é um profissional importante. Escreveu musicas, é poeta, escreveu sobre o Amor (eu vi tinha alguns prints de bloco de notas) tem o dom de uma coisa que mais mexe comigo... trabalhou em banda, é e fã dos meus cantores favoritos e cantoras. Foi preparador da apresentação mais linda de coral. E não sabe que é produtor.
Você deve ser um cara legal. E a questão da maturidade pra não dar faniquito é tão séria e importante que mesmo caras legais como você escrevem, pensam e falam tolices. E postam! 
E falam coisas que é tipo sentar no próprio rabo. 
Desculpa, parceiro, mas dizer que as mulheres brigaram por espaço para se envolver em falcatruas, e usar os caras... é de uma ingenuidade imensurável. Dizer que não acredita na gravidez dela com exame de sangue com hora e vídeo é de uma crueldade infame. 
A corrupção de TODO SER HUMANO é tão democrática quanto O PECADO ORIGINAL, meu amigo. 
E, nesse caso, além de democrática, é igualitária. mulheres fazendo tabelinha do mal com seus maridos é de uma tristeza shakesperiana. Antes tivessem roubado a maçã   (Do pecado) sozinhas e por conta própria.

Mas volto ao seu "texto". 

 Você apenas cita a sua decepção com a falta de sororidade, ou cumplicidade feminina, pra usar um termo menos da moda. Mas você conhece bem a história? Ouviu a sujeita falar? Conhece suas declarações? Por outro lado, você tem razão em questionar a bandeira do meu gênero nesse caso. Qualquer homem honrado, homem ou mulher, deveria estar do lado oposto ao de modelos como Fábio Assumpção. 

Enfim. Vou ler seus textos, dei print. 
Somos colegas de poetagem, sentimos e vivemos a vida e morte , acho que estamos no mesmo time. Te digo, de coração, que precisamos ser mesmo muito equilibrados, esperançosos, pessoas de oração porque ainda somos caídos . Não me desqualifique, companheiro. Releve os exageros, as unhas malfeitas, e amplie o quadro. Também sou fã da beleza, e ela pode ser maior do que você sugere, independendo inclusive de idade, sexo e atributos óbvios. Eu não sou peça de pornografia. 
E pra aquela linda que me olha no espelho; 

Tamo junto, mulher maravilha real que conheço e convivo. Também gosto de batom, mas não vivo sem música sem Jesus, na real; o foco hoje é esse a "sem faniquito" aqui. 



Abraço e beijo. 

15 de jun de 2017

Quando as estrelas brilham, eu oro por você.

Uma curiosa ideia antiga, intuída, passou a viver depois de um encontro na vida que distante está: o diálogo foi tão tenso, pouco negociado, uma esperança miúda...
Eles estavam trazendo a realidade à tona. 
Ela viu sair de si uma emoção difícil: o medo, com razoável intensidade. E raiva de ter medo de não ter. Ouvindo música brega/pop tipo projota "ela só quer paz"
Com outra emoção guardada, pensou: 
"Se tens lugar em mim, o amor será meu outro ponto cardeal da bússola. Seremos um para o outro um lugar que vai doer, mas pode perdoar."

E não pode naquele dia. Não se acolhe assim. Tem que dar tempo. 
Perigosa essa constatação, traz a ideia de ser a continuidade de crescimento. Nesse mundo sabemos que é impossível viver sem doação, e sem abrir mão é impossível. 
A capacidade de aguentar, que nos é exigida, fecha portas para as outras emoções, mas ainda temos janelas. 
Ela acordou tão cansada no dia seguinte, ficou mais tempo ausente do que seus costumeiros três dias de aflição. Os meses de limite permitido para estar numa relação sem se levar junto, já haviam passado, desde que ouvira sobre o que são relações. Ele a teve inteira de uma maneira muito natural. Ela não se deu conta de que estava definhando fechada, em torno de uma única emoção — o mesmo que costumava criticar. E seu coração ficava cada vez mais gelado. 

Acordou ainda surpresa pela resposta ao absurdo daquela frase ecoando. "Eu te amo", mas vinda de outras fontes. Uma declaração enviada do fundo da alma, deveria ter sido uma sugestão para que ela falasse algo para os dois. 
Lembrou que saiu humilhada às altas temperaturas, com uma mistura de saudade e uma leve irritação nos lábios de tanto dizer mentalmente que não viveria isso. Passou a manhã caçando o descanso pelos travesseiros. Daquele dia em diante, caçar sinais da presença dele, se tornou uma mania. Sugeriu mentalmente até mesmo que deixasse passar sem falar nada, nunca mais. Nem mesmo se reconhecia nesses gestos. Na verdade, arbitrariamente, decidiu ser ela mesma, agarrar seus sonhos e possibilidades . Sem pensar, sem sentir. Jogou-se na emoção que estava vivendo. escreveu numa mensagem, mas nunca teve coragem de enviar.

A dor, que marcou longos dias e anos, voltou com mais força. Querem criar castelos por trás dos discursos — decretava sempre que podia em conversas mais reservadas. Mas compreendia que era preciso defender o amor. Seu silêncio era fuga ou engajamento? 
Não apontava publicamente nenhuma contradição. Durante os dias de ausência viveu com intensidade a distância dele. Poucas foram as vezes em que não estavam juntos. Ela queria um colo. O mundo retira de nós todos os colos possíveis. E não os há. 

Ele estava lá. 
Um desses dias mereceu memória. Lá estava ela sentada  na rua do Bar que tomaram aquela água ardente, fazendo uma das coisas de que gostava. Comprava um gin tônica para sentar e ler de graça as revistas de arte que pegara numa dessas galerias metidas a cool. Era seu treinamento para um dia realizar esse mesmo procedimento em Londres — “uns querem Nova York, outros Istambul; eu quero os dias de chuva em Londres... parecem tão aconchegantes como estar com você”. Ele guardou, entre páginas de um livro, a camiseta com seu cheiro de não banho, com esse recado de bom dia deixado por Ela borrado de desculpa por ainda estar ali. Ele sentado na poltrona do butiquim aceitou a proposta e pegou um livro mas não cativou. Já havia lido, leu poucos livros mas jamais os esquecia, foi intencional, para se deliciar observando Ela. Seu olhar fixo sobre o rosto dela incomodou-a. Ela sorriu mas pediu que ele se concentrasse na leitura. Ele não sabia mais quem era, do que gostava, do que não gostava, o que queria. 
A euforia de conviver com o amor naquela hora o desequilibrava. Um comportamento que parecia ser proposital. 
O excesso dela cativava-o. Ele era divertido, mas ensaiava certa agressividade quando ela não se demonstrava atenta. 

Os dois. 
E os corações gelados.

Como não acontecer isso diante de tamanha intensidade? Ela engravidou mas foi interrompida  a gravidez. Ele não soube o que fazer. Ela sabia que desejar aquela gravidez era muito mais uma fantasia egoísta dele do que a vontade de ficar junto. Vamos acreditar  nisso. Havia impaciência em seu tom, de quem não quer se dar conta do que estáva acontecendo, decidir apenas virando a página de imediato. Isso reforçava ainda mais os receios deles. Ele não a escutava. Ela não entendia. Não havia reciprocidade de emoções. Ela estava inteira na relação mas com uma emoção diferente, mais presente. E com a tranquilidade de que aquela relação era um presente para sua vida e não a vida por inteiro. Ele, sua ausência, era outra coisa. Que nem ele sabia ao certo. Talvez por não ter se envolvido nessa intensidade anteriormente não sabia lidar com as emoções e esperava a mesma euforia dela.Mas ela era inevitavelmente indecifrável.  

Não tinha mais alunos para inventar aulas interessantes e arejar a cabeça; nem mais colegas de trabalho para as pequenas conversas, mesmo que controladas. Ele estava com amigos recém casados . Belo Horizonte é uma cidade de amizades. Impossível lidar com a vida que se vive nela sem parceiros para pensar junto. A vida da casa precisa da rua. Essa era a hora que Ele precisava de um amigo, mas estava só. Do jeito dela a tristeza, inibiu até mesmo as respostas de e-mails com convites de pessoas próximas. Várias vezes Ele perguntou se não sairiam com seus amigos, Ela desconversava, porque não queria. Agora, sentia vergonha em falar para alguém.  


As próximas semanas seriam regidas por sequências de emoções diversas, em demasiado. Ele aprenderia, como num parto a fórceps aprender tudo, e vê-la toda. Ninguém pode te ver nua e não ter um compromisso com você. Pq aquilo é mais do que a sua Alma, exposta. Era um efeito que ele causava. Outras dimensões. E que tarefa complexa. E ela aprendendo a ser e a dar lugar. Fim.


8 de mai de 2017

Era a tarde e não tinha chá,nem café, nem mesa posta, nem nada era meu ali e era um lugar de abrigo. Na verdade tem tudo, mas eu não quero.
 Toda vez que eu tomava minha medicação dizia a mim mesma; mude a minha mente, transformem minhas sinapses, mudem quem estou me tornando por causa do caos. A secretaria é doce, muito querida por sinal. Meu medico é calmo e me passa muita segurança. Melhorem-me! Sarem-me. Parte de mim querer viver, parte de mim querer morrer. Fechar os olhos como um passarinho e jamais levantar, nunca mais ouvir aquilo, nunca mais dizer, nunca mais me envergonhar de ser uma péssima pessoa e ouvir isso dentro da minha mente a cada madrugada corrida sem sono. 
Tinha tido jogo do Galo e a cidade tava metade feliz, eu tava metade/metade pq não tinha naldecon noite e aqui faz muito frio. Como havia dito Estava a dias sem dormir e a passagem das horas era muito irritante, me fez lembrar o chá da Alice e o coelho com seu relógio de bolso. Pra sempre eternamente. 
Esse dia foi um dia feliz, solar cheio de coisas lindas. Lucas estava aqui e brincamos muito. 
E no fim teve jogo e ele foi jogar com o mano. E o galo ganhou. E ouvi musicas que me davam indícios de que era assim. 
Vi o filme que gostávamos (ou eu) mandei e fui tolhida. Coisas da vida. Tô escutando no banho uma música do Vinicius chama-se "O haver" 
Tem fogos de artifícios lá fora e sol mas aqui menos trinta graus. 
As pessoas têm pouca noção do impacto que causam, quem flerta com quem não quer ninguém? 
Eu hein? 

24 de abr de 2017

Do que somos feitos

Arrisco aqui uma explicação para tantas dores tanto cinza usadas em Agressões.
Primeiro, e com certeza, essa
Enganação filha da puta que sofremos que somos fortes e invencíveis. Porque eu não tinha nem 10 anos quando o Ziraldo foi foi à minha escola No batista conversar com as turmas do terceiro ano e autografou meu livro. Quer dizer, o livro dele. Que ele escreveu. Ou seja: o livro dele, que era dele há um tempão, em um segundo passou a ser meu só porque eu me inscrevi na feira literária do colégio e fiquei na fila pra pegar uma assinatura e configurar uma relação.tenho relações platônicas desde sempre. E, como desde pequena levo a serio esse lance de relação e vi meu nome junto ao de um escritor de verdade dentro do objeto mais importante e misterioso como um Livro — sim, maiúscula —, de alguma forma senti que a partir dali éramos um casal de amigos imaginários. Sim, um casal, ou no mínimo uma dupla, e que portanto eu deveria cumprir com a minha parte no documento, o que significaria ler um pouquinho e escrever de vez em quando nem que fosse um haicai ou uma crônica porque minha orientadora da escola deu essa dica porque segundo ela eu era brilhante (em diários pq já me tratava do tdah naturalmente). Então é obvio que os autores de poesia são culpados.
Depois minha Bá. Porque uma vez eu fiz um versinho de amor pra ela fonte da
Minha alegria de criança, mas a minha ela achou tão lindo, ou pelo menos disse que achou tão lindo, e mostrou pro meu pai e também pras amigas dela, e mamãe e eu fiquei tao feliz de ela ter orgulho de mim, que até hoje eu penso que, se ela achar bonito um ou outro texto meu como um dia ela achou o poeminha do “amor é fogo que se junta no coração”, nenhum motivo pode ser mais nobre e quentinho do que esse.
Nelson Rodrigues. Este é um culpado indireto, coitado. Um culpado. Teve uma época em que os CEPs so tinham cinco dígitos e o Tom Jobim comprava pão na padaria Século XX sempre li jornal do rio, São Paulo d BH. Eu li isso e fiquei abismada. E porque, no dia em que ele tomou posse na Academia Brasileira de Letras, portanto, escrever era uma consequência e um dever de quem vivia ali. um talento distribuído democraticamente no ar pelos paralelepípedos. 
Bom, existem vários outros culpados por me incentivar a tão solitário esporte como a escrita, e não seria justo com o você listar toda essa gente mal-intencionada em uma única declaração de amor/parabéns.
Claro que não posso deixar o Braga, com seus textos curtos e cheios de sabiás, é faca no peito em dez minutos. Com ele aprendi a me emocionar com uma folha no asfalto, logo eu que sempre chorei sem motivo e me achei feia e você disse isso. E disse que eu era frígida sem nem ter tido oportunidade de viver outras coisas. E não precisava ir mais fundo pra encostar na beleza porque eu chorava lendo gibi.
Somos o que lemos, o que nos ensinaram, o que nos disseram ser o certo. Não é, não? Olha a autoajuda aí marcando sua presença! A sorte é que sempre dá pra fazer diferente, caro ex amor ou amor pra sempre.
Aprender. Ouvir. Mudar a perspectiva... Peço, portanto, a compaixão dos nossos irmãos cristãos — ou agnósticos ou evangélicos, ou espiritas, não importa — e arrisco aqui uma explicação psicanalítica para tantas latas de tinta de cor cinza usadas ouviu pouco jazz e Pedro  Mariano.
tinha 5 anos,  Quase 6. Um dia, voltando da escola e entusiasmado pela aula de artes, resolvi , num rompante criativo, fazer na parede um desenho de da Vênus.Mas
Ficou diferente. Porque eu sempre tive loucura por tudo o que se referia à História da arte. gostava de usar o cabelo bem amarrado.  Minha mãe, no entanto, sem ter como prever meus gostos infantis, decorou as paredes do seu quarto de menina com desenhos nossos Sendo essa a paixão do pai e do avô, nada mais natural do que manter na família o amor pela arte. Ela também explicou sobre estar sempre bem penteada e com o quarto bem organizado.
Depois fiz 10. Já usava o cabelo repartido no meio, vestidos de meias e o sapato boneca da BUÉ e ja ansiava pelas férias em praias. Os dinossauros eram página virada, e as pinturas também haviam sido deixadas de lado, eu acreditei no criacionismo mas nunca esqueci a bronca por ter desenhado fora do lugar de desenhar. E depois, a essa época, já quase não havia tempo pra brincar, era preciso falar línguas e fazer muitos esportes pra se tornar uma adulta vencedora. Fui tratada coMo
Produtor. Ninguém podia me defender. Eu
Era frágil e só sabia ler. 
Pois bem, camiLa.
Entendo sua história. Cada um tem a sua, e nenhuma é melhor ou pior do que a outra. Mas agora que você chegou tao longe e tá no comando da maior coisa da vida. Sua vida, sugiro estudar um pouco sobre a função do perdão  e do amor. Sugiro compreender o sentido da palavra intervenção. Manja Nelson
Rodrigues? Profeta Gentileza? Se não, sugiro pesquisar. Por respeito aos seus hiatos de dor. Amor quando morre sem
Morrer dói, saia de dentro de si e olhe em volta. Sua vida é linda, companheira. Tem um cinza bonito que não tem em nenhuma lata de tinta.

É big.



Com 34 anos se separou repentinamente do amor mais avassalador da sua vida. Ficou sem chão. Ela tinha filho, tinha tido carreira e empregos que deixou para se dedicar e precisou de análise, todos os discos do Tim Maia, medicamentos e sono. 
Fez sua mulher gozar.
 Ela sabia que avião só com ansiolítico e que reunião de pais só com bala de mastigar. 
Com 34 soube que não daria tempo de virar mais noites em Boates nem que poderiam escalar nada pq seu amor era dela e, ela era muito sedentária- tem coisas que se você não faz na idade certa, depois só resolve com música.
Com 34 anos pagou o aluguel, conta de luz, e comprou o primeiro vinho de R$20 bom - ainda não sabia que sentar pra jantar japonês  poderia ter tanto significado  (talvez por isso tenha demorado tanto pra comprar mesa e cadeiras para o apartamento, comendo sentados  no chão, ou diante de uma mesa de jardim por uns meses. 
Com 34 anos percebeu que não poderia mais brigar com meus pais, e que não era com eles que resolveria as lacunas da infância ou a distância da juventude. “Não era com eles”, ainda repitia vez ou outra pra si. 
Eles me deram tudo e eu os amei. 
Com 34 anos deixou pra trás uma casa onde foi feliz e onde viu o filho dela (e seu filho) pronunciar que o amava mais que tudo no mundo. O menino ficava contente ao ver a satisfação que causava nele, e então o recém pai: pronunciei - "Te amo e te beijei" e ele me beijou molhado de volta e eu olhava aquela cena sem saber ser uma terrível verdade o que intuía: nós três, de manhã, juntos e com cara de sono, ia acabar.
Com 34 anos e em carne viva por ter desfeito aquela família, eu não sabia que hoje, estaríamos juntos por causa do Amor.
E o mais avassalador momento passaria tão devagar e que sobreviveríamos, os três, a uma dor que parecia não ter fundo.
Eu também não sabia que casaria de novo numa outra onda de amor e sexo com a mesma pessoa sem ela ser a mesma pessoa e que seria tão feliz, que teria outro filho.
De repente
Com 34 anos eu não sabia que a
Política seria essa desgraça e que a economia era essa senhora que nos revela a escassez que nos tomou, e  que a cintura alta nunca mais ia sair do corpo dela. E que o Los Hermanos acabaria de repente mas jamais acabaria em seu peito de fã.
Com 34 anos eu não sabia que logo perderia meu senso de bondade que viveríamos o dias de horror na casa que eu mesmo ungi e orei.
E que no mesmo ano da derrota histórica que sofremos de nós mesmos, também eu seria goleado aqui no meu coração. 
Com 34anos não tinha o disco novo de ninguém não teria os desenhos do Lucas, não o  teria feliz a qualquer hora do dia me esperando para a leitura do lecionário, não teria o jazz que fazia minha mulhere querer namorar. 
Com 34 anos tinha o temor, das despedidas e choro todo dia na cama da casa dos meus pais: tudo doendo e sendo bom ao mesmo tempo por não estar mais lá e não ter responsabilidade. 
Era bom não ser mais jovem e era ruim não ser mais jovem. 
E tinnha um amor sangrando, doido querendo ficar e ir embora. E era muito. E era pouco. E era frágil. 

Com 34anos sabia que com outros anos continuaria sem saber como fazer pra não ter medo de amar e de dizer o que sinto.



13 de set de 2016

Alimentação Alienígena

Durante esse cortejo fúnebre as pessoas acompanham o esquife de cada uma de suas utopias, usam camisetas com frases de efeito num engajamento mórbido. 
Portam cartazes com o dizer: " o ideal está morto"! 
Que fato complexo. 
Logo depois chegam em casa, ligam seus computadores conectado na internê e escrevem textões sobre todas as coisas... 
Comunicam a fome de existir e deixam transparecer que o apetite utópico não está morto nem nunca estará. Ser humano precisa de narrativa. 
Para ilustrar; 
Perguntaram ao David Bowie o que ele tinha para dizer sobre a nova forma de comunicação da humanidade: " a internet". 
No que ele responde; "A internet não é um sistema de comunicação, ela é um alienígena!" 
Comento; Um alienígena que se alimenta das utopias da humanidade e não sabe que o humanismo está entrando em sua esquife para seu cortejo fúnebre. 

13 de ago de 2016

Eramos estas. Somos. Eu.

Ser boa em física e não sentir saudades da minha mãe no meio do silêncio de um café qualquer. Conseguir ingresso pro show do Vander Lee e amá-lo naqueles instantes. não chorar vendo a foto do meu primeiro namorado. Decorar todas as falas do Nelson Rodrigues e perder três quilos. Ter coragem. Um cachorro manso.ter sempre Três reais pro pão de queijo.

Viajar sozinha nem que seja pra São Paulo. Ler  e não achar chato. Assinar o Telecine e escrever à máquina. Aprender todas as letras dos mitos do jazz e fazer uma faculdade. Ler a parte de política do jornal. Não sentir culpa. Respirar. Doar alegria. Gostar da pedagogia do sofrimento.
Não trancar o IBE. Treinar baliza na ladeira e não odiar o moço da autoescola. Aceitar a viagem do Lucas mesmo com medo. Não parar o Amoxil antes de sete dias. Ter coragem. Filhos. Três reais pro pão de queijo.
Ver a peça da Tais Araujo e o filme da garota "Selena". Fazer análise e marcar pilates.Dançar nas festas e não só no quarto. Renovar o passaporte e mochilar pela Europa.consultar o Airbnb. Desfilar num carnaval e ficar descalça.
Ir de escada e não de elevador. Viajar pra Jeri  e só comer peixe. Soltar o cabelo nos pilotis. Estudar violão. Beber.  amar o meu pai/mãe  além dos erros. dar o tempo correto do condicionador. Depilar.
Não ficar sem graça com a ex-mulher do meu ex. Gravar os últimos capítulos de Liberdade Liberdade. Recortar matérias de turismo e deixar na geladeira. Comprar Frontal. Marcar de ir à Feira dos Produtores com tempo e não comer
Pastel. Deixar bilhetes de amor pela manhã e tomar sol. Não depender dos meus pais.
Não gastar metade do salário comprando coisa pros outros. Não ter medo de outro parto. Não achar que ter filho vai fazer todo mundo esquecer de você e que você nunca mais vai trabalhar. Não comer o pote inteiro de sorvete.  Ir de bicicleta e não de ônibus . Terminar o livro do Dostoiévski sem chorar. Só fazer trinca de ás e de três. Casar. 
Não odiar as crianças que não convidam seu filho pras festinhas. Não odiar os pais dessas crianças. Tomar banho de mar pelo menos uma vez por ano e doar sangue. Ver o programa do Silvio Santos. Pensar na morte.
Brincar de carrinho com o  filho. Achar legal brincar de carrinho com o filho. Ler com ele. Ficar com ele sem fazer nada. Ter vida pessoal ao mesmo tempo. Achar isso possível. Ter coragem. Três reais pro pão de queijo.
Deixar o Rivotril pra emergências. Repensar o conceito de emergências. Sair do Facebook. Retornar telefonemas. Cortar o cabelo. Contribuir com missões pra sempre. Respirar e ter unhas feitas. Lembrar dos sonhos de manhã. Gostar de música baixa até envelhecer.
Escrever. Fazer álbum físico da infância do Lucas. Viajar pra um lugar sem wi-fi. Achar bom viajar pra um lugar sem wi-fi. Gravar o meu pai antes que ele morra. Ler. Separar a dor e o rancorpilates. Mochilar pela América. Ser animada nas festas. Assinar a “Piauí”. Não ter medo de trovão 
Tomar banho de banheira demorado. Não falar pra ninguém porque pega mal.
Responder pro Rafael sobre cinema russo. Parar de beber Coca-cola. Fazer uma tatuagem de cruz. Escrever a carta pro Lucas adulto. Querer ter outro filho. Conseguir ter outro filho. Ver “Filme pipoca ”. Não ter medo do parto. Ver meus sobrinhos nascerem. Não ter medo de ficar louca. Desistir de ter unhas feitas com gel. Investir em shampoo bom.
Sair do Instagram. Trocar o ônibus pela bicicleta. Desenhar a altura do Lucas na parede. Almoçar com uma amiga uma vez por semana. fazer trilhas. Tirar selfies. Deixar o cabelo crescer. Contribuir com a semana do livro. Fazer Papanicolau. Voltar a amar a minha mãe depois da ofensa.
Aprender a fazer feijão e biscoito amanteigado. Ver “Game of thrones” e comer coisas cruas. Levar Rafael no cinema. Chorar. Entender de árvore e passarinho. Não depender de Rafael. Comprar discos e vitrola. Escrever as cartas.
Dançar nem que seja no quarto. Parar de comer pão de queijo. Fazer outra tatuagem. Não mandar nudes com cabeça. Parar de tomar Red Bull. Correr. Não mentir que está correndo se você só correu 3 vezes em 5 meses. Ver séries tirar habilitação. Pensar na morte.
Ir ao samba. Sambar. Tomar uma cerveja pra que isso seja possível. Talvez tomar duas. Sair do Whatsapp. Fazer mamografia e torcer pra Erundina levar a presidência da Câmara. Entender de drinks. Suar no sexo casada. 
Acompanhar o envelhecimento do meu corpo. Tirar o coração da alcachofra. Parar de chorar. Contribuir com os Médicos Sem Fronteiras.
 Ver “Gritos e sussurros”. 

dizer não.
Saber que se está na metade, pode ser cheio outra vez. Desistir de provar pra família do Lucas por parte de pai que eu venci sozinha e não entreguei os pontos. Não desistir do amor. Ligar pra Dra Camila e marcar exame. Não depender de ninguém que Deus não ordene. Sentar no chão sempre que eu quiser.  ouvir “Passarim” e me lembrar de coisas. Gostar do Obama.
Depender de quem se ama.
Ter coragem.
Netos.
Três reais pro pão de queijo